(Descalça fui). Era uma menina com cabelo negro dividido em duas compridas tranças. Tinha um vestido branco, que rodopiava a medida que ela avançava.
As escadas esperavam pela sua coragem. Com cuidado, tinha que ser com muito cuidado, pois, levava entre mãos um bem muito precioso. Sua mãe tinha dito:”Protege-o muito bem, pois só tens um, e tem que durar toda a vida!”.
(Agarrei-o com força). Mas, batia cada vez mais forte… Deixou-o cair. Partiu-se como porcelana. Pedaços espalharam-se pelo chão: o da ternura; o da amizade; o da família; o da tristeza; o do medo; o do amor; o dos enfartes sentimentais;…
A menina correu, tentou agarrá-los. Mas, não se queriam juntar. Pareciam peixes fora de água. Então, pegou numa cesta, e colheu-os como se fossem fruta madura acabada de cair.
Colou-os.
Colocou-o. Agora, dentro de si, numa tentativa de o proteger, com várias camadas. Como no Inverno: com várias peças de roupa.
Talvez, tenha colado de uma forma errada. Talvez…
Acordei com uma dor no peito, de tantas cicatrizes.
Sinto o coração nas mãos.
Regina Spektor,"Fidelity".
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