Wednesday, 16 January 2008

Quando tudo parece vir ter connosco...

(...)" Olho o sol de frente. Penso: se o castigo que me condena se fechar em mim, se aceitar o castigo que chega e o guardar, se o conseguir segurar cá dentro, talvez não tenha de suportar novos julgamentos, talvez possa descansar.Atrás da terra, surge o grande rugido do silêncio. O horizonte avança para mim num incêndio. E distingo-o. Vem a direito, com passos de máquina. O seu corpo maior do que o dos homens, é como o de uma árvore que andasse, é como o de um homem que fosse do tamanho de três homens.
Mais perto, olha-me sem desviar o olhar.Mais perto, a raiva dos seus olhos agarra-me e puxa-me aos poucos. À minha frente, está parado. Olhamo-nos".(...)

José Luís Peixoto, "Nenhum Olhar".

Sunday, 13 January 2008

Como chove...



















Mas isso não impede que eu já comece a ver a Triplicar...

I go to the night, but I think all the time...


Do me wrong, do me right,
Tell me lies but hold me tight,
Save your goodbyes for the morning light,
But don't let me be lonely tonight.

Say goodbye and say hello,
Sure enough good to see you, but it's time to go,
Don't say yes but please don't say no,
I don't want to be lonely tonight.

Go away then, damn you,
Go on and do as you please,
You ain't gonna see me gettin' down on my knees.
I'm undecided, and your heart's been divided,
You've been turning my world upside down.

Do me wrong, do me right (right now baby),
Go on and tell me lies but hold me tight.
Save your goodbyes for the morning light (morning light),
But don't let me be lonely tonight.
I don't want to be lonely tonight.
No, no, I don't want to be lonely tonight.

I don't want to be lonely tonight

James Taylor, "Don't Let Me Be Lonely Tonight".

Thursday, 10 January 2008

Eu sei que...

...a vida, por vezes, e por vezes muitas vezes dá cabo de nós. Eu sei.Tenho muitos momentos em que só apetece...deixar-me cair no chão, e aí ficar. Despejar tudo cá para fora, na tentativa de todos os problemas saírem com as lágrimas. Sinto-me sem rumo, sem objectivos, sem nada...Parece que tudo anda às voltas na cabeça...Dói-me a cabeça.Baixar os braços.Não passa...espero em vão. Começo a escrever, a escrever, a escrever, a ler, a ler, a ler, para tentar esquecer.Manter a cabeça ocupada. Mas lembro-me que não somos só seres racionais, somos emocionais, e vem tudo outra vez ao de cima.Deixa-me sufocada. Como sou frágil...Canto uma canção. Tento ser forte. Tenho de ser forte. Às vezes nem é por mim, é pelos outros. Bolas, já passei por tanto, mas estas coisas são difíceis. Preferia a dor física.
Por vezes, estou a andar na rua, e vejo tudo apressado, ou para o trabalho, ou para levar os filhos ao infantário, ou para apanhar o autocarro, ou para marcar lugar nas consultas no hospital... e eu ali a andar, a andar, a andar..às vezes tenho inveja dessas pessoas.Estão a correr para algo.
Não me venham dizer que o tempo cura tudo, porque eu sei que não. Porque se assim fosse estávamos sempre de bem com a vida.Os problemas chegavam e desapareciam rapidamente, como o tempo passa.
Ontem...
Sentia-me leve. Como se não tivesse de me preocupar com nada. A alma leve, tranquila. Como há muito tempo já não me sentia...
Tudo entrou em mim. Absorvi. Os sentidos despertaram... O nevoeiro da manhã... Inspirei. O cheiro a fresco, a natural, a pessoas que se apressam pelas ruas... Tudo parece tão distante do nosso olhar.
O suspiro desesperado da senhora que esperava pelo táxi. O homem sentado no degrau a cantar uma canção, que agora não me lembro. O sorriso do velhinho do quiosque: " Vai querer um jornal menina?". Nem me importei, que fosse um sorriso mecânico, pronto a cada dia para todos que ali param. A simpatia por interesse.Chamo-lhe. Simpatia, para levar o negócio avante.Mas quis lá saber. O chocar das moedas no bolso do arrumador de carros. Três homens não muito velhos, não muito novos, vestidos com fatos laranja fluorescente, pareciam os caça fantasmas...
A gota fria de chuva que me caiu no nariz... As folhas que brincavam no chão do jardim...Giravam, rodopiavam, paravam.Tornavam a girar, até que se cansavam. A brisa... Fez-me lembrar uma música de Caetano Veloso, "Fica, ó brisa fica pois talvez quem sabe,O inesperado faça uma surpresa....
Um cãozinho a levantar a sua perninha, para a roda, para duas rodas do carro do homem que me tinha tirado o lugar no estacionamento. Como me ri...Ri.Umas gargalhadas à palhaço...E como sabem bem!
A batida da música silenciosa, quando entrei no carro.Misturou-se na minha cabeça, com tudo o resto. Sentia-me leve...
Começou a chover... Caía incessantemente nos vidros... Fechei os olhos por segundos... Que bom! Ficava ali. Eu, o silêncio e a chuva, num abraço longo e apertado...E como eu preciso de um assim... O cheiro a pele, a cabelo, a corpo, a pessoa...
Nem sei por que é que estou a escrever isto tudo...é a fragilidade que vem ao de cima. Talvez para tentar esquecer, para ser forte.

Monday, 7 January 2008

Morning Yearning...


Ben Harper,"Morning Yearning".

Saudade - rasga o peito.
Dor interminável...
Não vejo.
Penso, imagino.
O tempo passa - quero.
O sol brilha...É o sorriso da manhã... Enigmático.
Olhos profundos, olhos que prendem...
Vem, desce pelos raios, atinge-me.
Vem.
Saudade - o coração aperta.
Bate, bate, bate...
A lua surge... branca, pura...
Vejo, sonho, falo.
É Saudade...
É Esperar por...
É não aguentar mais...
É o Vazio...
É o Silêncio...
É Profundo...

Friday, 4 January 2008

O que passou, passou...

2007...

Dor...
Dor maior que o sofrimento.
Sofrimento sem o ter.
A chuva quente,
Vertia...
Queimou a minha face.
Sozinha, enfrentei tudo.Quis.
Toda a minha alma ficou em carne viva.
A vida dói-nos,
A alma treme...
Cessou.
Mas tomo consciência:
Alcancei momentos puros de alegria,
Êxtase,
Levitação.
Chamem-lhe o que quiserem.
Senti...
Dei comigo a rir às gargalhadas...
Dei comigo a sorrir para tudo e todos.
Saí da órbita...
Extremos...
Globo total,
Eu sou.
Dois pólos tão afastados...
Caracterizam-me.
Equador, médio, equilíbrio.
Busco-te...

Fernando Pessoa já dizia que às vezes:
"Cai chuva do céu cinzento
Que não tem razão de ser"(...)


2008...

"Esta madrugada é a primeira do mundo"
"O que se sente exige o momento"
"Apagar tudo do quadro de um dia para o outro, ser novo com cada madrugada, numa revirgindade perpétua da emoção - isto, e só isto, vale a pena ser ou ter, para ser ou ter o que imperfeitamente somos".
(Fernando Pessoa - Bernardo Soares,Livro do Desassossego)

Thursday, 3 January 2008

2008 - um número redondinho, diria...

Faço o balanço do ano que passou, mas para isso tinha que me sentir já neste ano.
Mas em primeiro lugar, vou fazer algo que já devia ter feito em Dezembro...Desculpem-me pais. Um presente tardio...Parabéns pelo vosso aniversário.
Aqui vai ele...

Eu sei, sou sempre a mesma. Atrasada!Atrasada! Nunca é no seu devido tempo.Por enquanto, posso fazer assim.Por enquanto, o vosso tempo parece-me interminável.Mas, eu sei que isso não é assim...
Podia haver mil palavras para vos dizer tudo isto, ou só uma, ou mesmo nenhuma.As imagens falam por si. Basta eu estar/ser com vocês e com todas as pessoas que me rodeiam...
Como o tempo passa...passa...passa...e não para...
(E porque aqueles murcões nunca vos fizeram um vídeo em condições - eu tentei, até tem música e tudo!)